17/02/09
e digo nuvens (8)
12/01/09
e digo nuvens (7)
09/12/08
e digo nuvens (6)
13/11/08
e digo nuvens (5)
e digo nuvens (4)
29/10/08
e digo nuvens (3)
26/10/08
e digo nuvens (2)
19/10/08
e digo nuvens
16/09/08
terra devastada (6)
a luz toda se fundiu e como uma só, foi. de dentro da luz nasceram as palavras para estar como luz em redor das coisas. as coisas todas passaram a ter a luz e depois também as palavras para que as coisas deixassem de ser coisas. depois, depois de em tudo terem estado, foram as palavras luz num lugar quieto onde estas ainda não tinham estado, e deu-se a surpresa nas palavras de nada terem para dizer no lugar onde nunca tinham estado. e foi esse lugar com luz e sem palavras, assim como está, e as palavras foram, numa espécie de nascimento outra vez, com a luz por dentro em todos os outros lugares, sem nada precisarem de ser mais.
terra devastada (5)
nasceu o dia outra vez da noite e a luz começou do princípio para o dia. um dia sem a luz nasceu para a luz ser o dia no lugar do escuro. a luz então foi luz por dentro das coisas. em tudo onde havia o escuro entrou e onde não estava mais a luz, passou a luz a estar, nesse dia e depois em todos os outros que se seguiram. a luz ninguém quis ver por ser o escuro a cor de todas as coisas que os olhos olhavam. mas não olhavam os olhos a luz com medo de a ver dentro das coisas e as coisas assim deixarem de ser coisas e passarem a ser luz. mas havia ainda a luz própria das coisas que sempre esteve lá, independentemente dos olhos que não a queriam ver, e nessa luz estava a profundidade que era escuridão negra, noite como breu e ainda mais noite outra vez. e essa luz outra que é a escuridão no fim foi a luz que entrou num lugar que já era a escuridão do fim da luz por ter antes então tido luz a mais e depois ter ficado a precisar do escuro que é do que não é luz somente. no lugar onde só houve escuro muito tempo a luz entrou por acaso, que é por acaso que as verdades verdadeiras acontecem. no escuro de muito tempo a luz que era do princípio do dia entrou e ficou. ficou. ficou. até o escuro se misturar com a luz e a luz ter sido tudo o que aconteceu nesse lugar.
28/07/08
terra devastada (4)
uma porta sem gente é uma porta com coisas dentro. é tão a porta sem a casa como a gente sem portas para entrar. é a porta a existir como possibilidade de não o ser. no limite, é uma entrada que não se atalha nunca, que não se sabe nunca se é entrada porque não se experimentou jamais essa condição entre o que está antes e o que está depois. ainda assim é uma entrada. tem nome de entrada e de porta que lhe dão as pessoas mas não tem gente. as pessoas ficam à porta, à entrada. não entram porque têm medo ou por outra coisa qualquer. tem coisas dentro a entrada e a porta. coisas que não são das pessoas e por isso essas coisas as pessoas não podem nem devem ver porque as não compreenderão nunca. não as verão sequer. as coisas são das pessoas o que resta. essas coisas que ficam para trás e que as pessoas pensam que não são suas porque as largaram no meio do caminho. o caminho também é gente. não entraram pela porta as pessoas porque pela porta nunca nada passou a não ser as coisas antes de serem coisas. e antes disso não coisas, eram nada. mas estão lá, depois da porta, até que sejam novamente nada e passem a ser das pessoas outra vez. mas só se as pessoas deixarem de ter medo ou outra coisa qualquer e entrarem pela porta e a porta deixar de ser uma porta com coisas dentro.
22/07/08
terra devastada (3)
não temo. o que espreita o vidro, a rasura, dentro de mim exposto. sou a boca do lugar a que chega a repetição do estilhaço que é o fragmento informe de uma coisa completa, absorta na sua expectativa de unidade. o lugar perto de mim, por entre a urdidura de mil possibilidades em velocidade, no atordoamento do espanto em volta, em circunferência, em desnível a esclarecer a gravidade. não temo, ora. por vezes o espanto. por vezes a dor. por vezes o corpo todo na boca. por vezes o enredo de uma só palavra mal entendida, estilhaçada no lugar da dor. como o corpo nessa dor depois.
14/07/08
metodologia do Antes de não ser nada: os objectos antes de o serem, tentativas constrangidas na circunstância. antes de tempo morrendo, o tempo deles, sendo o tempo, o tempo nosso, como lugar por preencher, espaço permanentemente inabitado porque sem nada dentro que os determine na configuração do que são.
metodologia do Durante de não ser nada: os objectos distantes do lugar, casuais no acontecimento que se dá sem eles. os objectos vastíssimos na desilusão a atentar contra o fim que os submete como espectros sem histórias mais nenhumas. objectos inquietos, purificados no que a razão lhes permite de serem a atrocidade de existir como ensaio de coisa alguma, que enfim são como coisa que alguma não seria.
metodologia do Depois de não ser nada: o silêncio dos objectos que nada dizem de ser tanto.
01/07/08
terra devastada (1)
intenção (exercício)
tentativa de definição da intenção: objecto reflectido na complexidade a imitar o que não tem nada dentro. nada a sobrar além do estilhaço nesse exercício de intentar contra a multiplicação das perspectivas. perspectivas que não se cumprem porque não chegam a deixar de o ser. a intenção das perspectivas que se confundem com o antecedente delas, o instante antes da perspectiva. ele mesmo, o instante desmesurado que não tem de si nada além da intenção que lhe é de se multiplicar nas perspectivas que são depois do instante. definição do instante na perspectiva que é a complexidade no instante. guerra além da guerra na perspectiva depois da guerra sem instante dentro. espaços sem perspectiva, reduzidos ao acaso que o instante lhes causou como tempo que sem tempo é.
hipótese de definição: instante da guerra na perspectiva do tempo.








